Como Classificar uma Edificação para Elaborar um PPCI: Ocupação, Altura, Área e Risco

Como Classificar uma Edificação para Elaborar um PPCI Ocupação, Altura, Área e Risco

Como Classificar uma Edificação para Elaborar um PPCI: Ocupação, Altura, Área e Risco

Antes de começar a distribuir extintores, calcular hidrantes ou definir uma rota de fuga, existe uma pergunta que todo projetista precisa responder: como essa edificação deve ser classificada para fins de segurança contra incêndio? Essa decisão é uma das bases para o desenvolvimento de um Projeto de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI).

A classificação incorreta pode fazer com que o profissional utilize parâmetros inadequados e chegue a medidas de segurança diferentes das efetivamente aplicáveis ao imóvel. Por isso, ocupação, área construída, altura, características da edificação e riscos existentes precisam ser analisados antes do dimensionamento dos sistemas.

Para quem está começando, essa etapa pode parecer complicada. Entretanto, quando existe uma sequência lógica de análise, o processo fica muito mais simples. Neste artigo, vamos entender como desenvolver esse raciocínio e quais informações devem ser verificadas antes de iniciar um projeto de PPCI.

1. Por Que a Classificação da Edificação é Tão Importante?

Imagine duas edificações com exatamente 1.000 m². A primeira funciona como escritório administrativo e a segunda como depósito de materiais combustíveis. Apesar de possuírem a mesma área, as características de risco podem ser completamente diferentes. É por isso que somente a metragem não é suficiente para definir as medidas de segurança.

A classificação permite compreender tecnicamente o imóvel e localizar as exigências aplicáveis ao caso analisado. Dependendo da combinação das características encontradas, poderão ser necessárias medidas como extintores, sinalização, iluminação de emergência, saídas de emergência, hidrantes, alarme, detecção, compartimentação ou chuveiros automáticos.

Por esse motivo, a classificação deve acontecer antes do desenvolvimento das pranchas. Quando o profissional começa a desenhar sem conhecer corretamente o enquadramento da edificação, aumenta consideravelmente a possibilidade de retrabalho durante a elaboração e análise do PPCI.

2. Comece Identificando a Ocupação Real do Imóvel

A primeira grande informação que deve ser levantada é a ocupação da edificação, ou seja, qual é o uso efetivamente desenvolvido naquele local. Residências, hotéis, escolas, hospitais, escritórios, lojas, restaurantes, indústrias e depósitos possuem características diferentes de ocupação e risco.

Um cuidado importante é não classificar automaticamente a edificação apenas pelo nome da empresa ou por uma descrição genérica da atividade. O projetista precisa conhecer como o imóvel realmente é utilizado. Uma empresa registrada para determinada atividade pode possuir escritórios, depósitos, áreas produtivas e outros setores com usos distintos.

Durante a vistoria, converse com o responsável pelo estabelecimento e procure entender o processo operacional. Pergunte o que é feito no local, quais materiais são utilizados, o que é armazenado, quantas pessoas permanecem na edificação e se existem atividades complementares. Essas informações ajudam a chegar a uma classificação muito mais segura.

3. Área Construída: Aprenda a Levantar Esse Dado Corretamente

A área construída é outro parâmetro essencial para o enquadramento de uma edificação. Dependendo da regulamentação aplicável, mudanças de área podem alterar o tipo de processo e as medidas de segurança exigidas.

Por isso, não confie cegamente na metragem informada pelo proprietário. Compare documentos disponíveis com a situação encontrada durante a vistoria. Ampliações, coberturas, mezaninos e outras alterações realizadas ao longo dos anos podem fazer com que a área existente seja diferente daquela encontrada em plantas antigas ou cadastros anteriores.

Esse é também um dos motivos pelos quais o levantamento técnico deve ser realizado com atenção. Se o projetista utilizar uma área incorreta logo no início, poderá desenvolver todo o PPCI com um enquadramento inadequado e descobrir o problema somente na fase de análise ou vistoria.

4. Altura e Número de Pavimentos Não São a Mesma Coisa

Outro conceito que costuma gerar dúvidas em profissionais iniciantes é a altura da edificação. Não basta simplesmente contar quantos pavimentos existem. Para fins de segurança contra incêndio, deve-se utilizar o critério de medição definido pela regulamentação aplicável ao processo.

A altura é especialmente importante porque o abandono e o combate ao incêndio se tornam mais complexos à medida que a verticalização aumenta. Dependendo do enquadramento, edificações mais altas podem demandar medidas adicionais ou soluções mais robustas de proteção.

Por isso, registre durante o levantamento os níveis dos pavimentos, acessos, subsolos, mezaninos e demais características relevantes. Depois, consulte as definições normativas correspondentes para determinar corretamente qual altura deve ser considerada no projeto. Evite trabalhar apenas com estimativas visuais.

5. Carga de Incêndio e Riscos Específicos Também Precisam Ser Avaliados

Além da ocupação, área e altura, o projetista deve compreender o que pode efetivamente queimar dentro da edificação. É aqui que entra a análise da carga de incêndio e das características dos materiais existentes.

Um depósito de papel, madeira, plástico ou tecidos, por exemplo, pode apresentar condições muito diferentes das encontradas em uma sala administrativa. Da mesma forma, processos que envolvam líquidos inflamáveis, gases, produtos químicos ou determinadas atividades industriais podem exigir análises e medidas específicas.

Por isso, nunca classifique uma edificação observando somente sua arquitetura. A atividade desenvolvida e os materiais existentes fazem parte da análise técnica. Durante a vistoria, registre áreas de armazenamento, processos produtivos, produtos utilizados e qualquer condição que possa representar risco especial.

6. Monte uma Ficha de Classificação Antes de Começar o Projeto

Uma maneira eficiente de reduzir erros é criar uma ficha padrão de classificação da edificação antes de iniciar qualquer PPCI. Esse documento funciona como um resumo técnico do imóvel e orienta todas as etapas seguintes do projeto.

A ficha pode reunir informações como ocupação, atividades desenvolvidas, área construída, número de pavimentos, altura, população quando aplicável, carga de incêndio, existência de subsolo, riscos específicos e características dos sistemas já instalados. A partir dessas informações, o projetista consulta a legislação e as Instruções Técnicas aplicáveis para identificar as medidas necessárias.

Esse método cria uma sequência profissional de trabalho: levantar → classificar → consultar as exigências → dimensionar → representar → revisar → protocolar. Quando o iniciante aprende essa lógica, deixa de simplesmente copiar projetos anteriores e começa a desenvolver o raciocínio necessário para atuar como projetista de segurança contra incêndio.

Aprenda a Classificar e Elaborar um PPCI do Zero

Aprender a utilizar AutoCAD ou outro software de desenho é importante, mas o software não decide como uma edificação deve ser classificada. Essa responsabilidade pertence ao profissional que está elaborando o projeto.

É justamente por isso que quem deseja trabalhar com PPCI precisa aprender a interpretar as normas, analisar edificações e transformar as características encontradas em decisões técnicas. Quanto maior o domínio desse raciocínio, maior será a autonomia do profissional para enfrentar projetos diferentes.

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🔗 Links úteis para referência externa

ABNT – NBR 5419 (Proteção contra Descargas Atmosféricas)
https://www.abntcatalogo.com.br/

CREA-SP – https://www.creasp.org.br/

Corpo de Bombeiros SP – https://www.corpodebombeiros.sp.gov.br/instrucoes-tecnicas/

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