Como Projetar um Sistema de Pressurização de Escadas Passo a Passo (Conforme IT-13/2025)
Projetar corretamente um sistema de escada pressurizada é um dos principais desafios para quem atua com segurança contra incêndio em edificações verticais. A IT-13/2025 do Corpo de Bombeiros de São Paulo apresenta os critérios técnicos obrigatórios que devem ser seguidos para que o sistema seja eficaz e aprovado. Neste artigo, vamos guiar você passo a passo por esse processo — do cálculo de vazão de ar à escolha dos ventiladores e dutos — garantindo que seu projeto atenda às exigências e proporcione segurança real em emergências.
Entendendo o Objetivo da Pressurização
A pressurização da escada tem por objetivo manter a fumaça fora da rota de fuga. Para isso, cria-se uma diferença de pressão entre a caixa da escada e os ambientes adjacentes, garantindo que o ar flua da escada para fora e não o contrário. Essa medida é essencial em prédios altos, onde a evacuação pode levar mais tempo.
De acordo com a IT-13/2025, o sistema deve manter uma pressão positiva mínima de 50 Pa com todas as portas fechadas e de pelo menos 12,5 Pa com uma porta aberta. Esses valores garantem que a escada esteja protegida, mesmo durante a movimentação de pessoas.
O correto entendimento dessa função é a base para todos os próximos passos no desenvolvimento do sistema. Sem garantir essa lógica de pressão, qualquer esforço de cálculo ou instalação estará comprometido.
Levantamento Inicial e Características do Prédio
O primeiro passo é conhecer a edificação onde o sistema será instalado. Isso inclui altura total, número de pavimentos, características da caixa de escada (dimensões, enclausuramento, portas corta-fogo), e a existência de antecâmaras ou halls pressurizados.
Cada projeto de escada pressurizada deve ser adaptado ao layout específico da edificação. Por exemplo, escadas com maior altura exigem maior vazão de ar e ventiladores mais potentes, enquanto prédios com portas muito próximas ao duto de insuflação podem demandar ajustes para evitar sobrepressurização.
Além disso, o projetista precisa analisar fontes de energia disponíveis, espaços técnicos para abrigar ventiladores e dutos, e viabilidade de instalação de sistema alternativo de energia (como gerador ou nobreak).
Cálculo de Vazão de Ar Necessária
Com as informações da edificação, parte-se para o cálculo da vazão de ar necessária para gerar a pressão desejada na caixa de escada. Esse cálculo depende da área da seção transversal da escada, número de pavimentos, fugas de ar estimadas pelas frestas das portas e número de portas abertas durante a evacuação.
A fórmula básica considera as perdas de carga por vazamentos e elevação da pressão, utilizando coeficientes pré-estabelecidos por normas como a NBR 14880 e os critérios da IT-13. Para cada pavimento, considera-se uma área de infiltração (frestas), geralmente próxima de 0,05 m² por porta.
Além da vazão mínima, o sistema deve ser capaz de manter essa vazão de forma contínua durante o tempo de evacuação, normalmente estimado entre 15 a 30 minutos, o que influencia também o projeto elétrico.
Escolha dos Ventiladores e Sistema de Controle
A escolha do ventilador deve considerar a vazão e a pressão calculadas, bem como o tipo de instalação. Ventiladores centrífugos são os mais utilizados por garantirem pressão estável e menor ruído. A capacidade mínima precisa atender ao cenário mais crítico previsto no cálculo.
É fundamental prever a instalação de sensor de pressão diferencial, acionamento automático via detecção de fumaça e acionamento manual por botoeiras. O sistema deve operar mesmo em caso de falta de energia, exigindo alimentação por gerador ou nobreak compatível.
Além disso, o ventilador deve estar em local protegido e ter acesso para manutenção, conforme diretrizes da IT-13/2025. A instalação sem vibrações e com dutos bem fixados evita ruídos e perda de eficiência.
Posição dos Dutos e Pontos de Insuflação
Os dutos que conduzem o ar pressurizado até a escada devem ser dimensionados de forma a manter a pressão estável em todos os andares. A distribuição do ar deve ser uniforme, com pontos de insuflação bem posicionados — normalmente a cada 3 ou 4 pavimentos.
A norma recomenda que as saídas de ar estejam no lado oposto à porta da escada, evitando jatos de ar que atrapalhem a evacuação. Deve-se prever ainda registros de alívio para não ultrapassar a pressão máxima admissível.
A distribuição dos dutos deve seguir um traçado otimizado, com o menor número possível de curvas e derivações, reduzindo perdas de carga e facilitando a manutenção. Isolamento térmico e acústico também são recomendados.
Testes, Relatórios e Aprovação no Corpo de Bombeiros
Após a instalação do sistema, é preciso realizar testes de comissionamento, incluindo a verificação da pressão em diferentes condições (com e sem portas abertas), checagem de funcionamento automático e manual, e testes de energia alternativa.
O relatório final deve conter os resultados dos testes, laudos técnicos, ARTs, memorial de cálculo e planta com layout do sistema de pressurização, tudo conforme exigido pela IT-13/2025. Esse material é protocolado no Via Fácil Bombeiros junto com o projeto de PPCI.
Erros nessa etapa podem resultar em indeferimento do processo. Por isso, é essencial que o profissional esteja capacitado e conheça todas as etapas exigidas. Quer aprender como elaborar esse tipo de projeto com segurança? A HS Cursos pode te ajudar.
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